segunda-feira, 17 de outubro de 2011

O Movimento de Construção dos Projetos Pedagógicos dos cursos do PROEJA no IFES - Vitória/ES: avanços, tensões e desafios de um processo Político


Com pouco mais de um século de existência, o ensino técnico federal do ES, tem passado por um grande processo de discussão e reflexão. Processo esse iniciado a partir do momento que a Modalidade Educação de Jovens e Adultos entrou no IFES.

Esta nova realidade na instituição federal tem uma trajetória marcada por avanços, tensões e desafios, algo extremamente necessário para que esta modalidade se fortaleça e se consolide.

A vivência desta nova realidade fez surgir à necessidade de se elaborar, de se construir uma proposta curricular que atenda a demanda e as especificidades desta nova clientela: alunos da EJA.

É fato reconhecido por todos que a rede federal se propõe a oferecer uma educação e formação profissional de qualidade e que seu alto grau de seletividade reduz o acesso a esta proposta, o que acaba por configurar o ensino do IFES como um ensino altamente elitizado.

A entrada da modalidade EJA tem trazido um novo pensar sobre esta realidade, tem provocado ranhuras nessa realidade, pois ela enquanto modalidade se propõe a reparar, equalizar, qualificar e regatar o sujeito na perspectiva da cidadania.

Diante desta constatação, a necessidade de se superar uma formação restrita para a EJA, e ainda, a necessidade da realização de um currículo integrado, surgiu então, a necessidade de formarem-se comissões para elaboração dos PPC’s do PROEJA no Instituto Federal do Espírito Santo. As comissões eram compostas por professores das áreas de formação técnica e de formação básica, juntamente com os pedagogos.
As propostas passaram a ser discutidas com foco nas especificidades de cada coordenadoria e junto com o grupo de professores da formação continuada. É importante ressaltar que o trabalho das comissões não poderia se completar sem a participação dos alunos. A forte presença e intensa participação dos alunos nos debates realizados tornaram evidente para todos a amplitude do trabalho que estava sendo realizado.
Destacam-se, entre outros, como avanços significativos, que o processo de discussão e elaboração dos PPC’s promoveu:
  • a superação de uma perspectiva compensatória, presente na oferta da modalidade pela instituição. EJA compreendida como direito;
  • uma efetiva articulação entre educação básica e formação técnica profissional, que visa uma formação integral dos sujeitos;
  • a crescente integração entre ensino e pesquisa em torno do PROEJA no IFES;
  • elaboração de atividades voltadas para a formação continuada dos professores, contribuindo para o repensar pedagógico.
A elaboração dos PPC’s é um processo de construção coletivo, por isso várias tensões foram manifestadas. Essas tensões possibilitam visualizar os desafios a serem enfrentados. As que se tornaram mais evidentes foram:
  • A própria presença da modalidade na instituição e a necessidade de reconhecer o PROEJA como um curso diferenciado dos demais; 
  •  A revisão da forma de ingresso dos alunos nos cursos do Proeja e a evasão;
  •  questionamentos referentes sobre o “padrão de qualidade” dos alunos que seriam formados, visto o público ao qual o PROEJA se destina.
Um processo de construção coletiva, que reuni diferentes atores e suas diferentes formas de pensar EJA, só revela a amplitude dos desafios a serem enfrentados. As tensões numeradas nada mais são do que um alerta para os desafios que a implementação do PROEJA no IFES desperta.
Alguns desafios que não se apresentam como tarefa fácil de ser realizados:
  • elaboração de uma proposta construída especificamente para a EJA, enquanto modalidade integrada à educação profissional;
  • superar a estrutura disciplinar e os objetivos de ensino estabelecidos nos cursos;
  • buscar integração formação básica com formação profissional; 
  • superar a tentativa de se conciliar o que já existe com aquilo que propõe o Documento Base do PROEJA (2006);
  • mudança e diversificação na forma de ingresso dos alunos nos cursos do PROEJA. Foi um grupo de professores que apresentou a proposta de diversificação do processo seletivo, de modo a atingir o público-alvo ao qual se destina o programa
É preciso destacar que vencer os desafios já citados, contribuirá para a redução da evasão nos cursos do PROEJA, ele perpassa por toda a movimentação para a efetiva consolidação desta modalidade. Reduzir a evasão ou até mesmo superá-la é o maior desafio que fica para os profissionais envolvidos nessa luta.
Só é possível mudar aquilo que se conhece. A evasão escolar e a superação do preconceito em relação aos projetos educacionais da EJA e a clientela atendida por ela, devem estar constantemente em pauta para os grupos e comissões. È preciso que se viabilizem momentos que despertem um novo pensar sobre a Educação do jovem e do adulto como um direito de fato.
Referência: http://forumeja.org.br/es/node/215


Por: Jeanny, Margareth, Sandra Helena


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